afastou-se de seu mundo, de perto dos seus
para viver o sonho que o invasor lhe propagara
entregar todos os seus ideais e sua alma
a uma obra humana que diziam ser de Deus
e lá fora aquele tão forte sonhador
que tanto queria ir à terra de além-mar
fazer-se mais homem e aprender a ensinar;
a ser o melhor empenhou-se como num labor
a promessa fez-se ato e pôs-se o jovem a caminho
estudou, rezou, trabalhou, chorou e fez-se grande
para ser o melhor por onde quer que um dia ande
mesmo que sua solidão o massacre quando sozinho
a vida é irônica e num dia desses que a gente nunca esquece
seu diretor o chamou e perguntou-lhe o que ainda queria
nessa vida, pois nela já não mais o aceitaria
e seria melhor que de seus sonhos se desfizesse
desiste, então, ao sonho o meigo moço
o rapaz que há tanto se crera irmão
dos pobres e nobres filhos da solidão
os perdidos sem luz no fundo tácito do poço
a palavra do mestre confirma-lhe a dispensa
a voz imperiosa lhe ordena a saída
“não mais cabes aqui nesta tão reta vida
falta-te a dignidade cristã, a nossa crença
vai-te, pois, aos teus, onde não se pensa
pois o mito é quem governa-lhes na calma
é na cegueira que mora a tua alma
hás de morrer nessa ingenuidade imensa”
quem tem honra nem sua indignação é permitido mostrar
mesmo que coloquem em cheque sua consciência visível:
no jogo do poder reina a trama inaudível
que mata o sonho sem que permitam-no se expressar
Ao amigo Armando João Monteiro, de Moçambique
Janeiro de 2015
quinta-feira, 1 de agosto de 2024
sábado, 27 de julho de 2024
O QUÊ É?
o que vê num segundo
em seu mundo, José?
o que sonha em seu sonho
profundo, o que é?
o que te faz reagir
a um comando que quer
te ver sempre bem
e autônomo, José?
o que guarda teu sorriso
ao que te digo, o que é?
a alegria da vida
que só se guarda na fé...
o que levo em meus braços
o que levo, o que é?
é a certeza que tudo
é mais belo que é...
o que percorre minhas pernas
e decorre, o que é?
é a sanha de uma luta
e não posso dar ré...
e decorre, o que é?
é a sanha de uma luta
e não posso dar ré...
e, quem tenho comigo
que me mantém em pé?
são meu pais e irmão
que não perdem a fé!
que me mantém em pé?
são meu pais e irmão
que não perdem a fé!
Para: José Matheus Marinho Moreira
De: José Heber de Souza Aguiar, Imperatriz/MA, 31/10/2023
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