o homem, esse covarde homem
bastardo da desordem e do descontentamento
filho das glórias do tormento
realidade que me tanto consome
pôs-se sobre minha alma, o ser
o bravio corpo que não conhece a razão
aquele homem-bicho sem noção
que usa da desonestidade pra viver
eu, como homem de coisas ralas
da sensibilidade de todo o ser
que não sou acostumado a viver
com a ignorância dessas toscas falas
pus-me homem sensível a observar
o que a dureza daquele pobre coração
tinha como grande e verdadeira razão
ao querer tanto me fazer calar
a desgraça da alma é a dor do homem
que mesmo dócil animal, se ferido
põe-se a esbravejar peito aguerrido
frente ao desespero e dor que lhe consome

eis que aquele duro humano de papel
não mais era que uma doce ferida
o gole bravo da tão forte bebida
que deixa-o sem razão, se imbuído em fel
todo grande homem é um pequeno ser
o engenho frágil de um Deus tão forte
que permite à sua criação conhecer a morte
sem que encontre a razão de viver
somos fadados a viver, e sofrer é o que resta
àqueles que não conhecem o clarão
e dispensam o doce hino em canção
que esvai-se da alma por uma fresta
grande e bendito seja todo o homem
que põe-se alma sempre amena
a fazer grande coisas tão pequenas
maiores que o medo da morte que lhe consome